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Uma nova abordagem para Cidades Inteligentes

Segundo o relatório intitulado “Perspectivas Globais de Urbanização”, produzido pelas Nações Unidas, os centros urbanos acolherão juntos cerca de seis bilhões de habitantes até 2050.

Para já dar conta dessa demanda, muitos municípios estão aderindo ao conceito de cidades inteligentes, cujos cidadãos participam de modo efetivo e todos os setores funcionam de forma integrada.

Esse modelo permite ao gestor público gerenciar e coordenar as diferentes agências de um município e otimizar recursos para atender as necessidades dos seus munícipes. Nesse contexto, surge o programa Cidades Digitais.

Entenda mais como essa iniciativa tem auxiliado no aprimoramento da qualidade de vida e na democratização do acesso aos serviços públicos.

Um novo conceito de Cidade Inteligente e como a tecnologia pode colaborar

A União Europeia define cidades inteligentes, ou smart cities, como um sistema de indivíduos que interagem e usam serviços, energia, financiamento e materiais para promover o desenvolvimento socioeconômico do local onde vivem.

Essa interação é inteligente, pois são utilizados instrumentos da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) para atender as necessidades da comunidade.

Com esse objetivo, diversos municípios brasileiros utilizaram seus próprios recursos para investir na modernização dos seus processos e na disponibilização do acesso gratuito à internet para a população.

Com o tempo, projetos que antes eram submetidos às câmaras de vereadores passaram a ser levados aos governos estaduais e federal. Por meio disso, os municípios buscavam angariar recursos para o que passou a se chamar “Cidade Digital”.

Atendendo a esse apelo, o Governo Federal criou o programa Cidades Digitais, uma iniciativa que visa a modernização da gestão pública, a democratização do acesso da população aos serviços públicos e a melhoria na qualidade de vida nos municípios por meio do uso de recursos tecnológicos. As principais áreas de atuação são:

  • implantação de redes de fibra óptica que integram digitalmente os diversos órgãos públicos da cidade;
  • desenvolvimento de aplicativos para o acesso a serviços públicos e gerenciamento de processos do governo;
  • treinamento de servidores municipais para o uso dessas novas tecnologias;
  • instalação de pontos de acesso gratuito à internet em locais públicos, como rodoviárias e praças.

Dessa forma, em diversos municípios, a tecnologia passou a fazer parte do dia a dia dos cidadãos em sua interação com os serviços públicos e sua participação nas decisões do governo. Esses valiosos recursos fomentaram a melhoria em vários setores, como:

Mobilidade

Podem ser utilizados indicadores, como idade média da frota, público atendido, tempo pelo qual o transporte estará disponível e monitoramento dos veículos via GPS. Tudo isso conectado a um sistema que o cidadão pode acessar para saber em que horas o ônibus passará no ponto onde ele está, por exemplo.

Meio ambiente

Calcula-se o índice de resíduos gerados, como são tratados e como impactam o meio ambiente do município. Isso pode permitir, por exemplo, maior controle na gestão da coleta de lixo nas grandes cidades por meio de sensores.

Eficiência energética

O uso de um sistema de iluminação com LED pode aumentar ou reduzir a iluminação de acordo com período do ano, representando uma economia de até 30% em relação ao modelo tradicional.

Saúde

Uso de aplicativos como um canal de comunicação com o governo em campanhas de combate à dengue, de arrecadação de agasalhos, ocorrências que envolvem o Samu, sem necessidade de ligar para um serviço 0800.

É possível também fazer um cadastro unificado de pacientes em prontuários eletrônicos. Isso facilita o recebimento de vacinas e outros tipos de atendimentos médicos.

Segurança pública

O uso de câmeras conectadas a sistemas de software pode ajudar o governo a realizar o planejamento de segurança com maior inteligência. Esses equipamentos podem, por exemplo, detectar automaticamente padrões de comportamento suspeitos e alertar as viaturas mais próximas.

Além disso, as mesmas câmeras de vigilância podem ser úteis para identificar incêndios, desastres naturais ou outras situações de perigo. Portanto, as autoridades podem ser notificadas de forma imediata e autônoma. Isso significa que as ações de emergência serão mais rápidas e as chances de salvar vidas serão maiores.

Em todas essas áreas, as ações visam promover a interação do gestor público com os cidadãos, já que estes são a peça fundamental de todo o processo. O programa Cidades Digitais deseja torná-los mais interativos em seu município, utilizando a tecnologia como um vetor de mudanças e criando novos canais de comunicação para que o munícipe colabore com o seu olhar.

O município pode conectar várias secretarias, como educação, segurança, saúde e secretaria social, e unificar todos os serviços. Além disso, poderá criar vários canais para o cidadão interagir com governo. Dessa forma, o gestor público conseguirá identificar em que colocar mais esforços para atuar de forma mais eficiente.

Vamos, agora, nos aprofundar um pouco mais em como o programa Cidades Digitais pode ajudar a resolver uma das maiores preocupações dos municípios brasileiros: a segurança pública.

O Plano Nacional de Segurança Pública e o incentivo à criação de Centros Integrados de Comando e Controle nos municípios

O Plano Nacional de Segurança Pública tem por objetivo combater o tráfico de drogas e armas, reduzir a criminalidade fora e dentro dos presídios e modernizar o sistema penitenciário brasileiro.

Entre as principais medidas previstas pelo Plano, é a implantação de Centros ou Núcleos de Inteligência formados pelas polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal, além de agentes do Sistema Penitenciário.

Essa ação conjunta possibilitará o fluxo e compartilhamento constante de dados entre as autoridades. Elas contam com sistemas on-line que possibilitarão disponibilizar informações para diferentes esferas do governo.

Por exemplo, nas estradas, será ampliado o programa Alerta Brasil, que prevê a instalação de mais de 800 câmeras nas rodovias federais. Essa iniciativa visa identificar veículos por meio de um sistema integrado com as redes estaduais.

Mais uma vez, a Tecnologia da Informação e Comunicação se torna vital para promover a segurança pública em cidades inteligentes. Isso também ocorre nos Centros Integrados de Comando e Controle, como veremos a seguir.

Como funciona um Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) e seus objetivos

Embora exista uma camada de inteligência com foco maior em segurança, os CICCs abrigam outros serviços integrados às esferas municipal, estadual e federal, como:

  • Companhia de Engenharia de Tráfego
  • Corpo de Bombeiros;
  • Defesa Civil;
  • Guarda Municipal;
  • Polícia Civil;
  • Polícia Federal;
  • Polícia Militar;
  • Polícia Rodoviária Federal;
  • Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Esses serviços ficam conectados a câmeras em vias e em outros locais de grande movimentação, além de sensores em centros públicos de saúde e escolas, fornecendo um pronto atendimento em casos de emergências.

Dessa forma, o CICC assume um grande valor social e estratégico para a segurança pública:

  • fomentar a participação efetiva do cidadão;
  • notificar incidentes de segurança de modo preciso;
  • mapear incidentes para ações de inteligência e prevenção;
  • integrar órgãos e sistemas por meio de softwares, banco de dados, sensores e outros dispositivos conectados.

Considere o caso de Curitiba. Em 2014, o CICC instalou mais de 700 câmeras pela cidade a fim de garantir maior segurança para o evento da Copa do Mundo. As câmeras de vigilância foram posicionadas no Estádio Joaquim Américo, ao longo de rodovias e em outros locais públicos. O objetivo era prover maior monitoramento com um menor efetivo policial e agilizar o atendimento a ocorrências.

Durante o evento, tudo ocorreu como o esperado, com toda a tranquilidade e segurança. A coordenação geral da Copa no município afirmou que, “em todos os aspectos”, Curitiba superou as expectativas.

Os resultados da permanência do Centro Integrado também foram muito significativos. De acordo com o relatório sobre Curitiba, emitido pela Secretaria da Segurança Pública do Estado do Paraná, o mês de junho de 2015 registrou o menor índice de homicídios dolosos desde 2008 — foram 22 casos em 2015 contra 40, e 32 crimes de gênero nos últimos dois anos.

Além disso, especificamente no mês da Copa, em 64 bairros de Curitiba — o que representa 84% do total — não houve registros de homicídios. No ano anterior, o número era de 53 bairros.

Desafios a serem superados e como os municípios podem se equipar, mesmo com pouco investimento

No Brasil, estamos enfrentando vários desafios hoje, começando pela burocracia na implantação de novos projetos no setor público. Por isso, há lentidão no processo para aquisição de tecnologias.

No entanto, a tendência de tornar as cidades mais inteligentes em nosso país está se fortalecendo, em especial devido à preocupação com os altos níveis de consumo, a necessidade de maior nível de mobilidade e o crescimento populacional.

Isso tem motivado muitos gestores públicos a criarem uma nova forma de administrar as informações e os problemas sociais da comunidade. Esses desafios geram a necessidade de criar ferramentas e soluções para melhorar a produtividade das cidades.

Essa produtividade está muito relacionada ao gerenciamento do alto volume de dados, muitos deles não estruturados, o que dificulta a coleta e análise. Com dados não organizados e sem planejamento, as informações se perdem.

Um outro impasse são os recursos financeiros necessários para fazer a implementação dessas tecnologias.

Para resolver isso, existem as linhas de crédito do BNDES, do Programa de Modernização da Administração Tributária e da Gestão dos Setores Sociais Básico (PMAT), que contemplam uma série de vantagens para municípios que querem investir em inteligência.

As cidades inteligentes, por meio do programa Cidades Digitais, cumprem um papel integrador fundamental, dando voz ao cidadão. Este, por sua vez, se torna uma peça essencial desse processo, interagindo com as novas soluções e colaborando na gestão da sua cidade.

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