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Dica de leitura: “Investigação Digital em Fontes Abertas”

A evolução da tecnologia e dos meios de comunicação ocorrida nas últimas décadas propiciou um aumento gigantesco do volume de informações disponíveis em domínio público. A internet se tornou um manancial inesgotável de conhecimento e uma fonte de dados determinante para a tomada de decisões, monitoramento econômico, social e político de um país.

Ao mesmo que temos mais informação disponível, tornou-se muito mais complicado tratar esse grande volume de dados para a tomada de decisão em tempo hábil nas mais diversas situações.

Web 2.0 revolucionou a forma como as pessoas interagem virtualmente, consomem conteúdo e compartilham informação. Grandes empresas passaram a enxergá-la como uma ferramenta poderosa nas atividades de inteligência competitiva, auxiliando na compreensão de todo o ecossistema de stakeholders, estudo de mercado e planejamento estratégico.

Relevante no universo corporativo, a Web ganhou protagonismo nas atividades de inteligência policial também e se tornou um importante mecanismo para produção de conhecimento e evidências.

As investigações policiais não se resumem mais à obtenção de informações por meio de depoimentos, declarações e informantes. O conteúdo disponibilizado publicamente na internet fornece a investigadores e analistas de inteligência subsídios para a apuração de crimes.

Para os que trabalham com inteligência web ou apreciadores do tema, trazemos como dica de leitura a obra Investigação Digital em Fontes Abertas, que apresenta como esse processo tem sido desenvolvido.

O livro Investigação Digital em Fontes Abertas

Lançado em 2013, o livro Inteligência Digital abordou ferramentas disponíveis para a coleta de dados. Desde então, houve o surgimento de novas alternativas de obtenção de conteúdo, sobretudo nas redes sociais e nas camadas da internet não indexadas pelos mecanismos de busca padrão.

Diante desse cenário, a obra foi atualizada e incorporou recursos que poderão auxiliar o leitor na realização de quaisquer investigações modernas, principalmente a criminal. No entanto, com o crescimento exponencial e constante do volume de conteúdo disponibilizado na internet, a disseminação de informações em fontes abertas é revigorada incessantemente. Assim, o livro Investigação Digital em Fontes Abertas é proposto como um impulso para que o leitor se desenvolva e amplie seu poder investigativo com as experiências alcançadas.

Autores

Investigação Digital em Fontes Abertas foi escrito por experientes investigadores. Alessandro Gonçalves Barreto é delegado de Polícia Civil do Piauí. Durante mais de uma década, entre 2004 e 2016, foi diretor da unidade Subsistema de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Piauí.

Barreto foi ainda colaborador eventual e coordenador do Núcleo de Fontes Abertas (Nufa) da Secretaria Extraordinária para Segurança de Grandes Eventos do Ministério da Justiça durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro.

Outro dos três responsáveis pela obra, Emerson Wendt é mestre em Direito, especialista em crimes cibernéticos e professor de inteligência policial. Além de ter sido nomeado diretor do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) no começo do governo de José Ivo Sartori no Rio Grande do Sul, foi escolhido como chefe da Polícia Civil gaúcha, depois de 18 anos de experiência como delegado.

Já Guilherme Caselli é policial civil do estado do Rio de Janeiro, formado em direito e especialista na área de Cyber Crimes pela Universidade de Coimbra (Portugal). É também responsável técnico do Grupo de Operações em Portais (GOP) da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática.

As fontes abertas

No próprio livro Investigação Digital em Fontes Abertas, os autores definem fontes abertas como: “Qualquer dado ou conhecimento que interesse ao profissional de inteligência ou de investigação para a produção de conhecimentos e ou provas admitidas em direito, tanto em processos cíveis quanto em processos penais e, ainda, em processos trabalhistas e administrativos (relativos a servidores públicos federais, estaduais e municipais)”.

Enquanto as fontes fechadas têm restrição de acesso, permitido apenas por meio de login e senha, as fontes abertas estão acessíveis a qualquer momento. Esses dados e informações são encontrados em livros e softwares e, principalmente, na internet. São essas fontes que oferecerão subsídios para as investigações policiais.

O livre acesso à informação foi ratificado na legislação brasileira de novembro de 2011, por meio da Lei de Acesso à Informação Pública. Ao assegurar esse direito, a legislação estabelece diretrizes, como:

  1. observância da publicidade com preceito geral e sigilo como exceção;
  2. divulgação de informações de interesse público;
  3. utilização de meios de comunicação viabilizados pela tecnologia da informação;
  4. fomento ao desenvolvimento da cultura da transparência na administração pública;
  5. desenvolvimento do controle social da administração pública.

Com essas garantias determinadas por lei e a disponibilidade de informações de órgãos públicos, as investigações policiais são desenvolvidas de forma mais ágil. Assim, as apurações criminais envolvem um volume maior de dados e aprimoramento das informações coletadas.

Fontes abertas em investigação policial

Com o auxílio das informações coletadas em fontes abertas, as investigações policiais não se restringem a depoimentos e exames periciais, assim como se tornam mais ágeis e precisas. A celeridade é proporcionada pela possibilidade de rápido acesso à informação, sem a dependência da expedição de ofícios e outros processos burocráticos.

Contudo, é válido ressaltar que a pesquisa em fontes abertas demanda cuidados especiais, uma vez que a confiabilidade das informações e sua relevância devem ser analisadas minuciosamente quando abordamos aquilo que é disponibilizado na internet.

Entre as recomendações para a investigação policial em fontes abertas, podem ser citadas: filtrar as buscas para encontrar as informações realmente relevantes para a apuração, buscar referências sobre o responsável por hospedar as informações, criar alerta sobre os termos mais importantes para cada caso a fim de evitar a necessidade de novas buscas diariamente e formalizar as buscas feitas em fontes abertas, com relatórios do conteúdo pesquisado, metodologia utilizada, data e hora da pesquisa.

Inteligência em fontes abertas

Mais do que acelerar as investigações e ampliar o volume de dados coletados, as fontes abertas podem oferecer inteligência às apurações e pesquisas. Para o conhecimento adquirido por meio de informações disponíveis e acessíveis a qualquer pessoa, é dado o nome de Open Source Intelligence (OSINT), ou Inteligência de Fontes Abertas, independentemente de quais sejam essas fontes.

A inteligência adquirida a partir das informações disponibilizadas na internet recebe o nome de WEBINT. Por meio de modernas ferramentas, é possível conectar dados estruturados e não estruturados da web e extrair inteligência continuamente de diversas fontes como redes sociais, blogs, fóruns, sites de notícias, além da Deep e da Dark Web.

A coleta de informações da Deep e da Dark Web é especialmente importante para pesquisas e investigações, já que poucas informações valiosas da Web estão indexadas nos mecanismos de busca padrão. Segundo o jornal inglês The Guardian, é possível acessar apenas 0,03% da internet por meio de motores de busca como o Google. Todo o restante faz parte da Deep Web.

A necessidade de ferramentas de acesso especializadas e a falta de motores de busca abrangentes na Dark Web, a tornam mais fechada e ampliam a anonimidade de seus participantes, criando um ambiente que garante a privacidade de seus usuários, porém, facilita a proliferação de redes criminosas, como traficantes de drogas e armas, pedófilos e fraudadores.

A perfeita combinação do intelectual humano — leia-se: especialistas em inteligência — e ferramentas de coleta, potencializa o acesso a essas informações, identificando habilmente dados cruciais para a tomada de decisões.

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