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4 opções para melhorar a segurança pública na era digital

Em 2015, os gastos com segurança pública no Brasil totalizaram R$ 76 bilhões. Apenas no estado de São Paulo, foram despendidos R$ 11,3 bilhões, enquanto os valores correspondentes aos municípios chegaram a R$ 4,4 bilhões. Dos cofres da União, saíram R$ 9 bi.

Nos últimos dois anos, segundo o próprio Governo Federal, os investimentos em segurança pública quintuplicaram. Em 2016, o orçamento para a área foi incrementado em mais de R$ 2 bilhões.

Em contrapartida, os índices de violência não têm diminuído. Entre 2005 e 2015, conforme estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a taxa de homicídios no Brasil aumentou mais de 10%. Nesse período, somente oito estados, além do Distrito Federal, tiveram queda no índice de assassinatos.

Enquanto o poder público busca alternativas para diminuir as taxas de criminalidade, algumas opções surgem como um grande atalho no caminho contra a violência. O uso da inteligência no combate ao crime tem se mostrado a alternativa mais eficaz.

Neste artigo, apresentaremos quatro opções para melhorar a segurança pública na era digital. Para entender como elas podem se tornar realidade, é necessário abordarmos inicialmente o Plano Nacional de Segurança Pública.

O Plano Nacional de Segurança Pública

Lançado pelo Governo Federal em janeiro de 2017, o Plano Nacional de Segurança Pública (PNSP) tem como objetivo a cooperação entre governo federal, estados e sociedade. O PNSP é uma das frentes do governo para ampliar os investimentos em segurança pública.

Com o Plano Nacional, o governo pretende chegar ao fim de 2017 com redução de 7,5% no número anual de homicídios dolosos nas capitais brasileiras. Em 2018, essa meta será ampliada para aproximadamente 200 cidades no entorno das capitais.

Como alternativa para reduzir a taxa de criminalidade no país, o governo promete ampliar o uso de tecnologia e os investimentos em inteligência. As medidas previstas incluem:

  • monitoramento de veículos pela ação denominada Alerta Brasil, com instalação de mais 837 câmeras da Polícia Rodoviária Federal (PRF) nas rodovias;
  • promover a integração entre o sistema e as redes estaduais de identificação de veículos;
  • implantação de centros de inteligência integrados das polícias nas capitais e no Distrito Federal;
  • criação de forças-tarefa no Ministério Público para investigações de homicídios;
  • fortalecimento do combate ao tráfico de armas e drogas nas fronteiras.

Diante dos esforços do governo para reduzir a violência no país e o aumento de investimentos, podemos citar quatro opções para melhoria da segurança pública.

1. Uso da tecnologia

A tecnologia da informação é hoje parte fundamental da sociedade. Não é mais possível tomar uma ação sem que haja integração com a TI. Portanto, a polícia deve se tornar cada vez mais aparelhada e especializada para aproveitar a tecnologia no combate ao crime.

Na era digital, as leis do país e as regras de convívio social devem ser transportadas para a internet, afinal, ela é a continuidade da vida de todos os cidadãos. Os crimes que não são permitidos no mundo real também não podem ocorrer no mundo virtual.

A evolução tecnológica tem sido aproveitada por criminosos para fraudes ao sistema, formações de quadrilhas e exposição de crimes. Para combater esses episódios de violência, os principais mecanismos são as bases policiais já existentes, tanto a Polícia Militar, para fazer operações de campo e prender pessoas de fato, quanto as Polícias Civil e Federal, que têm habilidades técnicas para investigações, descobrir quem são os alvos e aqueles que praticam os crimes.

Em um segundo momento, é necessário gerar as provas para que a Justiça possa prender essas pessoas. Essas ações se tornarão mais efetivas a partir da entrega de ferramentas que potencializam a capacidade de investigação.

2. Aplicação de metodologias

O uso de recursos tecnológicos pode potencializar o combate ao crime e ajudar a reduzir os índices de violência, mas esse objetivo estará, efetivamente, mais próximo se a aplicação desses recursos for feita com base em metodologias. É por meio delas que será assegurado um planejamento bem estruturado para que as novas ferramentas atinjam o máximo potencial que podem entregar.

A metodologia não é o simples uso da tecnologia, mas a melhor forma possível de operação com esses recursos. Por mais avançadas e modernas que sejam, as ferramentas não vêm em primeiro lugar.

Estratégias bem-sucedidas de segurança pública devem partir da observação de qual é o problema de fato para seguir os passos corretos, investigar, gerar provas e solucionar crimes da maneira mais eficaz.

Antes que ações sejam tomadas, é preciso analisar o conceito operacional e definir a metodologia de trabalho, para, então, ser iniciada a busca por tecnologia.

3. Capacitação dos profissionais

A extração do máximo potencial dos recursos tecnológicos está atrelada ainda à capacitação dos profissionais que serão responsáveis por sua operação. A capacitação e a atualização devem ser constantes, para que os agentes de segurança possam acompanhar as mudanças em tecnologia e as respostas a essas alterações sejam o mais breve possível.

Policiais e os demais agentes devem se manter atualizados a respeito de questões sociais, tecnológicas e metodológicas constantemente. Somente assim serão capazes de saber como combater as novas formas de crime que surgem na era digital.

É necessário acompanhar as mudanças tecnológicas para a investigação, geração de provas e condenação de culpados. Em maio deste ano, o jogo denominado Baleia Azul levava crianças e adolescentes a cometerem suicídio. Entender os meandros de algo que, inicialmente, poderia parecer uma brincadeira infantil, é um exemplo de como a atualização de conhecimentos ajuda na reação a casos similares. Quanto mais se conhece, mais fácil será reagir.

Na era digital, há uma quantidade abundante de informações na internet, com crescimento exponencial e incessante. É necessário, portanto, ter a capacidade de filtrar quais informações são realmente relevantes para uma investigação e entender como extrair dados para análises objetivas de acordo com o que é permitido pela lei.

4. Criação de setores especializados em inteligência

Conforme já citamos, o Plano Nacional de Segurança Pública estabelece a criação de Núcleos de Inteligência Policial. Todavia, diversos órgãos de segurança pública no país já contam com áreas de inteligência.

O que deve evoluir no combate ao crime é o entendimento de que o que faz diferença para a diminuição dos índices de violência não é a força extensiva ou o aumento do contingente em campo. Esse diferencial é a inteligência.

O uso de força extensiva sem o apoio da inteligência gera a perda de muitas vidas. Até agosto de 2017, já haviam sido registradas 100 mortes de policiais no Rio de Janeiro. É necessário, portanto, evitar o combate corpo a corpo.

Todavia, não basta criar núcleos de inteligência, mas, sim, a base para trazer os resultados esperados. Isso somente é possível com capacitação para a análise dos dados e informações que são coletados com o auxílio da tecnologia, com a identificação e formação de profissionais com perfil analítico.

Esses agentes de segurança pública convivem diariamente com um grande risco para suas vidas. Portanto, além de oferecer capacitação, é preciso criar as bases e fundamentos para que esses núcleos de inteligência consigam trazer os resultados esperados.

Com o uso da tecnologia a partir de metodologias definidas e orientadas por profissionais bem organizados, é possível combater efetivamente o crime e melhorar a segurança pública.

Para obter mais conteúdos que abordam alternativas para melhorar a segurança no país, continue acompanhando o nosso blog.

Por Luciana Fernandes


As opiniões e conteúdos expressos neste blog são responsabilidade exclusiva de seus respectivos autores. O conteúdo é fornecido apenas para fins informativos e não representa a opinião da Suntech S.A./Verint.


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